Foi uma sensação interessante encontrar uma citação sobre Manon Lescau, nas páginas de Dom Casmurro. Quando li o romance da última vez, confesso que há muitos anos atrás, ainda não tinha lido o clássico de Abade Prévost, que passou pela minha cabeceira há uns dois meses. E quando li Manon Lescau, achei um quê de Capitu na estória.
Certamente essa citação tinha passado batida em leituras anteriores, mas dessa vez deu novas cores ao Romance de Machado de Assis. O grifo é meu:
“Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso. atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas… Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. Com dezessete, Des Grieux (e mais era Des Grieux) não pensava ainda na diferença dos sexos.”
Ao contrário de Machado, que não tentava em nada facilitar a vida do leitor, John Gledson em sua tradução deixou nota de rodapé explicando quem era Des Grieux e outros personagens espalhados por Dom Casmurro, muito mais mastigado, just in case. Mas concordo que a maioria das notas – uma novidade dessa edição em relação às traduções anteriores – foram felizes e oportunas, principalmente as explicações geo-político-sociológicas sobre o Rio de Janeiro e Brasil no fim daquele centenário – quanta coisa mudou nesse pouco mais de centenário.
E a língua mudou também – o que a tradução atualizou. De forma alguma a narração de Bentinho nessa edição apresentou frase tão formais como ‘faltava-me língua’ ou ‘Não mofes’. Gledson optou por usar uma linguagem mais próxima do leitor moderno, com todas as contrações que o inglês tem. Uma edição para estudantes, possivelmente.










Oi Paula,
Muito legal este seu blog, que descobri lá no Translation Blog da Céline. Já estou seu fã, principalmente agora que li o post sobre Dom Casmurro, o melhor de Machado de Assis.
Obrigado por publicar um link para meu blog. O talqualmente também está no meu blogroll (em Blogs|Tradução).
Saudações da Bahia chuvosa de junho,
Fabio
Obrigada, eu acho que prefiro o Memórias Póstumas, a versão inglesa está na lista de livros futuros. O seu blog também é bacana – Ah quanta saudade eu tenho da Bahia! O licor de Genipapo já está pronto para o São João?
Oi Paula,
Sou aluna de Letras Bacharelado/tradução na UFRGS e estou fazendo um trabalho sobre as obras traduzidas de Machado. Gostei muito do que você escreveu e gostaria de saber onde encontrar Dom Casmurro em inglês e mais material sobre esse assunto. Obrigada desde já!!
Cybele
Oi, Cibele
Muito obrigada!
Amazon.com é a sua melhor alternativa. Tem algumas traduções diferentes, então é bom se certificar que você compra a certa – o nome do tradutor deve aparecer ao lado do autor. Boa sorte!