O significado de Tingo
Setembro 8, 2007 de Paula Góes
Um livro bem bonitinho, The Meaning of Tingo, de Adam Jacot de Boinod, que figura aí nos meus links será lançado em português agora no dia 10 de setembro, sob o título Tingo: O irresistível almanaque das palavras que a gente não tem e tradução de Luciano Machado.
Trata-se de uma compilação de palavras e expressões úteis e inusitadas de todos os idiomas. Dentre elas estão a turca “cigerci”, que significa “vendedor de rins e pulmões” ou, então, “zolst farliren aleh tseyner achitz eynm, un dos zol dir vey ton”, que significa “tomara que você perca todos os dentes menos um, e que esse único doa”, em iídiche. Ou a japonesa “mukamuka” pra alguém que tem “tanta raiva que sente vontade de vomitar”. Do português vem sacanagem, “procurar encontros sexuais com um ou mais partners durante a terça-feira de carnaval”. E eu particularmente gosto de matego, palavra da Ilha de Páscoa que quer dizer “olhos que revelam ter chorado há pouco”. Tingo é o dialeto dessa ilha.
Além de conteúdo interessante, o livro tem ilustrações engraçadinhas de Sandra Howgate, como essa, que deve ser para a palavra (ou palavras) que deram a idéia do livro ao pesquisador da BBC quando ele percebeu que os albaneses usam 27 palavras diferentes para sobrancelha e outras 27 para bigode: “kacadre” é o bigode com as pontas voltadas para cima; “fshes” é o bigode que parece uma vassoura de pêlos eriçados; enquanto “vetullgajtan” são as sobrancelhas longas e delicadamente delineadas; e “vetullngrysur”, as tristonhas, como diz o release oficial da editora.

Alguns trechos da versão brasileira podem ser vistos no site da Conrad.
E eis aqui uma página da versão original.









talqualmente,
uma excelente descoberta! garimpei um pouco as palavras no endereço que voce deu e acabei achando algumas de sentido parecido com o que elas têm em português.
de fato, é interessante como algumas palavras surgem no nosso vocabulário sem que saibamos de onde elas vêm. e, de repente, achamos alguma relação delas com alguma expressão em uma outra língua, cujo significado é o mesmo ou similar. vou procurar o Tingo em inglês, mas, pelo pouco que li, vejo que a tradução em português alcança o objetivo da edição original.
por exemplo, uma palavra em português que me intriga é malandro. as palavras malin e drôle me vêm à mente. certamente, os galicismos do final do século xix deram origem a diversas outras palavras que são hoje usadas sem que nos demos conta da sua origem.
outra palavra com que me deparei no site em português foi serein, na verdade, de origem latina, seria, em português, sereno, ou relento.
tantas palavras novas, quem sai lucrando? nganthurru!!
Gilrang, estava pensando depois de ter escrito esse texto - sendo o livro uma tradução de uma coleção de *palavras que a gente não tem* em inglês não quer dizer que necessariamente não tenhamos as palavras citadas em português.
Não folheei ainda ao livro traduzido, e fico pensando se o tradutor teve a liberdade de deixar isso claro e, por que não, fornecer as palavras em português nos casos em que haja correlação.
Com a palavra, Luciano Machado!
paula,
entendo o que voce quer dizer. em verdade, creio que alguns termos em inglês que caíssem na mesma classificação de *palavras que a gente não tem* poderiam ter sido acrescidos na tradução. mas, então, não seria uma tradução e, sim, uma adaptação. bom, como voce diz, deixemos para o luciano machado (ele nos ouve daqui?) nos dizer as suas limitações e o que pensa dos nossos palpites…
Sim, acho que uma adaptação seria o ideal!
Quanto a visita do Luciano, nunca se sabe. Já recebi visitantes ilustres por aqui, e pelo menos um bem famoso que me ajudou a concluir a minha lista http://talqualmente.wordpress.com/tradutores/ com os livros que ele tinha traduzido para o inglês… Vamos ver se ele nos dá a honra!
Cara Paula Góes,
Só agora descobri o Talqualmente.
Vi e gostei.
Li seu comentário sobre o lançamento do Tingo.
Como você sabe, um livro como esse exige mais que tradução ou adaptação. Seria o caso de fazer uma versão brasileira, tendo o português como referência.
Infelizmente nossa realidade editorial não permite isso.
Tive de me limitar a uma tradução, com os riscos que implica.
Mas acho válida da iniciativa da Conrad, considerando-se o papel do inglês no mundo atual.
Quando tiver um tempinho, volto ao Talqualmente.
Acho fundamental a comunicação entre profissionais da mesma área, ainda mais no nosso caso.
Um abraço pra você.
E até mais.
Luciano
Oi, Luciano!
Muito obrigado pela visita e pela explicação - we were wondering! - imaginei que tivesse sido decisão do mercado editorial. Ainda não tive a chance de ver a sua tradução, mas voto em você caso a adaptação saia um dia, com a permissão do Conrad!
Tudo de bom
Paula
Eu Estou fazendo meu TCC sobre a tradução de “Calvin e Haroldo - Como tudo começou”, e gostaría de contactar o Luciano Machado para fazer algumas perguntas. Em especial sobre a tradução de Hobbes para Haroldo.
Muito Obrigada!