Entrevista com Fábio Fernandes, tradutor de Laranja Mecânica
Setembro 30, 2007 de Paula Góes
Esse cara deve ser um gênio. Ele conseguiu traduzir Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, trabalho que lhe rendeu 8 meses de pesquisa. Quem leu em inglês o original ‘A Clockwork Orange‘ deve imaginar o sufoco que ele deve ter passado para verter para o português a linguagem brilhante do autor britânico. Indo além de escrever em um inglês altamente sofiscticado, Burgess criou um dialeto próprio, e não existe nada parecido na língua inglesa. Nadsat, que é a transliteração do russo para teen, seria “o inglês” com gírias russas falado por jovens nos subúrbios da Londres de Burguess, lá pela década de 60.
Começando pelo título, que é um pedacinho de cockney rhyming slang, que também inspirou o nadsat. To be “as queer as a clockwork orange” que quer dizer ser MUITO queer (palavra que naqueles tempos, eu acho, valia mais como estranho ou bizarro do que o significado super gay dos dias de hoje). Isso se perde já na tradução, infelizmente. O título em português chama a atenção e chega a ser estranho ao nossos ouvidos, mas pára por aí.
E o livro continua, página por página, recheado dessa linguagem própria, cheio de neologismos mistos das duas línguas, que um nativo pode até entender por equivalência, com um esforço maior do que exigiria um romance na literatura mediana. Mas que, na verdade, nem sempre entende. Ou seja, uma linguagem tão estranha quanto o que diz o título. E exuberante:
“All right, Dim”, I said. “Now for the other veshch, Bog help us all.” So he did the strong-man on the devotchka, who was still creech creech creeching away in very horrorshow four-in-a-bar, locking her rookers from the back, while I ripped away at this and that and the other, the others going haw haw haw still, and real good horrorshow groodies they were that then exhibited their pink glazzies, O my brothers, while I untrussed and got ready for the plunge.
Vale só lembrar que a edição americana, além de ter o final cortado, precisou de um glossário de nadsat (contra a vontade e para o desgosto total do autor, que não providenciou nenhum glossário para os seus compatriotas, forçando leitores a enfrentar o desafio sem ajudas, a não ser a de um dicionário de russo se não conseguissem pegar as expressões pelo contexto. Bog! Ou melhor, God!).
Como traduzir isso assim desse jeito? Veja na entrevista completa, uma homenagem ao dia do tradutor, ou compre o livro - o desafio dlo tradutor está explicado na introdução da obra.








Oi Paula. Aceitei o seu desafio e escrevi algo sobre o dia do tradutor. :-)
Veja já no meu blog.
Depois te mando um e-mail com calma.
Oi Paula. Foi mal, pensei que foi você quem tinha feito o “desafio” do post sobre o dia do tradutor. Era uma outra tradutora chamada Paula. :-)
Enfim, mas fica o convite para ver o meu post. A gente se fala.
Eu tenho o livro, mas uma edição de 1977, traduzida por Nelson Dantas que encontrei em um sebo, e, realmente, deve ter sido um trabalho enorme trazer tudo aquilo para o português…
Oi, Fábio
Sem problemas. E toda a boa sorte do mundo nos novos rumos tomados!
Cardoso
Seria interessante comparar as duas traduções, não? O que você achou da de Nelson Dantas?
O Fábio é uma grande figura e um profissional de impressionante competência. Além de “Laranja Mecânica”, o cara também traduziu boa parte (se não toda) a obra de Phillip K. Dick e William Gibson para nossa língua.
Tive a oportunidade rara de tomar umas cervejas com ele no Rio em um dos encontros do Overmundo.com.br. Além de tudo mais, ele é uma simpatia.
Sou fã do cara!
Abraços do Verde.
Paula, que blog lindão! já está linkado, e acabei de assinar seu feed. estarei aqui, sempre. eu adoro ler literatura em outras línguas, e mesmo arrisquei a tradução de alguns contos (por hobby, claro, sou um amador). será interessante acompanhar seu blog.
PS: apenas eu acho que falta mais informação sobre sua pessoa. por exemplo, você é tradutora profissional? mora no Brasil mesmo? essas coisinhas.
Abraço.
Obrigada, Daniels!
Tenho que dar uma atualizada nesse blogue, tentarei encontrar alguma inspiração esse fim de semana, essa pstagem sobre o Fábio já tem bem um mês!
Olha, tem informações sobre a minha pessoa na página Sobre o Talqualmente, dá uma fuçadinha lá!
Tudo de bom
Paula