Elite da Tropa, livro dos policiais do BOPE Rodrigo Pimentel e André Batista, em parceria com o antropólogo e cientista político brasileiro Luiz Luiz Eduardo Soares, que ficou famoso depois da adaptação de José Padilha como obra de ficção para os cinemas com o título de Tropa de Elite, chega às livrarias internacionais em tradução de Clifford E. Landers, pela Weinstein Books. Elite Squad acaba de chegar aqui em casa, e consta agora em minha lista de futuras leituras.
Dentre os muitos desafios que o tradutor deve ter encontrado, destaco as canções-poemas cantadas pelo BOPE que são muito, mais muito difíceis de traduzir dada a carga cultural e gírias internas que elas carregam. Tanto que até a grande maioria os nativos de português precisam das notas de rodapé para saber que *cursados* (ou puros) é a gíria para os membros do BOPE (imagino por terem passado pelos “cursos de formação”), enquanto *pés-de-cão* (ou impuros) é como são chamados os policiais militares convencionais, ou ainda a “polícia má”, que seria o restante da corporação.
Agora me diz, como melhor traduzir ou adaptar isso tudo? Veja abaixo algumas das soluções encontradas por Clifford E. Landers, em um trecho retirado da introdução do livro:
“Man in black,
What is your mission?
To invade the favela
And leave bodies on the ground.”“Do you know who I am?
I’m the cursed dog of war.
I’m trained to kill.
Even if it costs my life,
The mission will be carried out,
Wherever it may be,
Spreading violence, death, and terror.”“Homem de preto,
qual é a sua missão?
É invadir favela
é deixar corpo no chão.”“Você sabe quem eu sou?
Sou o maldito cão de guerra.
Sou treinado para matar,
mesmo que custe minha vida,
a missão será cumprida,
seja ela onde for
-espalhando a violência, a morte e o terror.”
“I’m the combatant
With his face behind a mask;
The black and yellow patch
That I wear on my arms
Makes me a being unlike others:
A messenger of death.
I can prove that I am strong,
If you live to tell the tale.
I am a hero of the Nation.”“It’s joy, it’s joy
That I feel in my heart,
For a new day has dawned,
For me to carry out my mission.
I’m going to infiltrate a favela,
My rifle in my hand,
To fight against the enemy
And sow destruction.”“If you ask from where I come
And what my mission is:
I bear death and despair
And total destruction.”“The blood runs cold in my veins
And has frozen my heart.
We have neither feelings
Nor compassion.
We love our comrades
And hate the conventionals.”“Commandos, commandos,
Just what are you?
We are only
Cursed dogs of war,
Only savage
Dogs of war.”“Sou aquele combatente,
que tem o rosto mascarado,
uma tarja negra e amarela,
que ostento em meus braços
me faz ser incomum:
um mensageiro da morte.
Posso provar que sou um forte,
isso se você viver.
Eu sou… herói da nação”
“Alegria, alegria
sinto no meu coração,
pois já raiou um novo dia,
já vou cumprir minha missão.”“Vou me infiltrar numa favela
com meu fuzul na mão,
vou combater o inimigo,
provocar destruição.”“Se perguntas de onde venho
e qual é minha missão:
trago a morte e o desespero,
e a total destruição.”“Sangue frio em minha veias,
congelou meu coração,
nós não temos sentimentos,
nem tampouco compaixão,
nós amamos os cursados
e odiamos pés-de-cão*”“Comandos, comandos,
e o que mais vocês são?
Somos apenas
malditos cães de guerra,
somos apenas
selvagens cães de guerra.”
Fiquei muito decepcionada em ver que a Amazon não cita o tradutor, na minha opinião um retrocesso para a livraria online – e olhe que Landers é um dos grandes tradutores contemporâneos de nossa literatura. Pontos para o Booksamillion e Allbookstores.com, que não esqueceram de mencionar o autor da traduçao.
Landers se debruça agora na tradução de Vozes do Deserto (Voices of the Desert) de Nélida Piñon, que deve sair no fim de 2009 pela Knopf. Espero ter mais notícias sobre ela em breve!










aeee..o blog voltou a ativa!!!!